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Entrevista CEO a Istoé Dinheiro
Fonte: http://www.terra.com.br
Data: 07.04.2009

A American Banknote é um nome desconhecido do grande público, embora todos circulem com ela na carteira. Pegue um de seus cartões de crédito e repare nas letrinhas miúdas da impressão. Lá pode estar grafado ABNote ou ABNC. São as abreviações dessa gráfica de segurança responsável pela impressão de cartões bancários e de identificação. Com capital aberto desde 2006, a empresa ainda não conseguiu fechar um ano com oscilação positiva do papel. Em 2007, a queda foi de 3% e no ano passado, de 30,9%. Esse pode ser o ano da virada? "Não me arrisco a prever o funcionamento do mercado", diz o presidente, Sidney Levy. "Mas vamos trabalhar para aumentar o lucro, como fazemos há 11 anos consecutivos. E vamos fazer neste ano novamente, embora seja um ano que não teremos moleza", afirma ele, que conversou com a DINHEIRO:

DINHEIRO - A economia mundial já está respirando novamente?
SIDNEY LEVY - Ainda tem muita crise pela frente. Ela vai aos poucos se espalhando para diversos setores. Mas a função do executivo é se preparar sempre para o pior, para quando a tempestade vier. Estamos vendo uma crise grande. Se ela não vier, melhor: vamos em frente.

DINHEIRO - Qual é a consequência para o negócio?
LEVY - No nosso caso é a variação da demanda. Cada pequena unidade tem que ser trabalhada como se fosse uma empresa à parte, pois teremos aumento em alguns negócios e queda em outros. Um efeito da crise é que os bancos estão mais conservadores com os cartões de crédito. Este era um mercado que cresceu acima de 25% nos últimos anos. São poucas as chances de repetir o desempenho neste ano. Porém, nossos clientes ainda não sabem qual será a curva de expansão. Existe um controle maior dos projetos, neste momento.

DINHEIRO - Quais são as unidades que podem surpreender?
LEVY - Há uma grande operadora de telefonia celular com uma campanha enorme de cartões prépagos. E já não estamos conseguindo atender a esse crescimento. Outro setor que está bem é a área de identificação, em que estão as carteiras de motorista e identidade. Estes não sentem a crise. Assim como a gráfica está bem.

DINHEIRO - A aquisição pode ser uma saída?
LEVY - As empresas vão fazer menos aquisições, pois agora está mais difícil de comprar. É difícil achar um valor médio que agrade.

DINHEIRO - Já deu para sentir como funciona a volatilidade da bolsa de valores?
LEVY - Fazemos três anos de bolsa agora em abril. E já passamos pela euforia e pela depressão. O humor do mercado muda muito. O papel começou avaliado em nove vezes o Ebtida (lucro antes do pagamento das obrigações fiscais) e agora está em pouco mais de três vezes e meia. Abrimos o capital a R$ 17 por ação e agora ela está por volta de R$ 10. Nosso Ebtida, que era de R$ 90 milhões no IPO, no ano passado foi de R$ 166 milhões. Ou seja, aumentamos o lucro mas a avaliação do ativo pelo mercado caiu.

DINHEIRO - É possível não ser influenciado por esse comportamento?
LEVY - O conselho diz que não é para olhar o preço da ação. É para tocar a empresa sem essa preocupação. Mas antes eu olhava muito o preço, sobretudo as mudanças dos principais acionistas. Hoje temos cinco grandes acionistas com os quais conversamos muito. Eles pensam no longo prazo.

DINHEIRO - O caixa da empresa está saudável?
LEVY - Emitimos uma debênture de R$ 180 milhões no ano passado, com prazo de cinco anos. O principal vence no terceiro ano. Temos caixa de R$ 50 milhões com dívida de R$ 130 milhões. Ou seja, nossa dívida é menor que uma vez o nosso Ebtida.






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